A CURVATURA DO ESPAÇO

    Fazia já uns cem anos que o mundo científico estava embaraçado e confuso pela aberração aparente na órbita de Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol.
    Dentro das leis de Newton cada planeta girava numa elipse perfeita, tendo por foco o Sol, repetindo indefinidamente essas órbitas elípticas sempre que não as perturbassem as forças gravitacionais oriundas de outros planetas.
    Mesmo, porém, ao levar em conta essas influências perturbadoras, acharam os astrônomos que Mercúrio teimava em ficar fora do quadro cósmico.
    O efervescente planeta insistia na violação das leis da velocidade celeste.
    Em meados do século XIX um grande francês, Leverrier, calculou que Mercúrio, ao atingir seu periélio - o ponto de sua órbita mais próximo do Sol - não girava exatamente, uma vez em torno do Sol, de um periélio a outro, e sim um nadinha mais. Não era grande a discrepância. Leverrier calculou que no andar de um século ela atingiria um ângulo de 43 segundos. Coisas como esta, entretanto, fazem os astrônomo perder noites de sono e levar para a cama uma porção de pensamentos.


    Mas em 1915, Albert Einstein publicou a teoria da Relatividade generalizada. Uma vez mais tomara o pulso à natureza, e esse feito olímpico não só explicou satisfatoriamente o enigma de Mercúrio, mas deu à espécie humana um esquema novo da realidade, no qual a gravitação aparecia como outro aspecto do espaço-tempo continuam.
    A nova teoria te Einstein negava abertamente o conceito newtoniano de força.
    A ideia de uma força atuando de longe e ocasionar a queda dos corpos, como uma maçã, em direção da Terra e de outras grandes massas era, ainda, uma ilusão - como a de espaço, tempo e movimentos absolutos - nascida da deficiência de nossas experiências sensoriais.
    Surgia, então, um novo modelo conhecido pelo nome de "Mecânica Relativista" - de Albert Einstein.
    A Relatividade surgiu com o fracasso de uma experiência para medir a velocidade da luz em diversas direções.
    Einstein pôs em prática as ideias de Riemann. Para ele o Universo não era Euclidiano, mas, sim, Reimanniano, com quatro dimensões, onde a quarta dimensão seria o tempo, e que a matéria encurvaria o espaço nas suas proximidades.


 
    A figura acima mostra a curvatura do espaço devido à presença da matéria (planeta). É esta curvatura que cria os efeitos da gravidade.
    Para entender essa teoria gravitacional devemos fazer a seguinte experiência em pensamento: Suponhamos que estamos num quarto escuro, com duas esferas pintadas com tinta fosforescente. Uma dessas esferas se acha na parte inferior de um funil que não podemos enxergar nem  tocar.
    Se colocarmos a outra esfera nas proximidades da mesma, isto é, na boca do funil, ela tenderá a rolar dentro do mesmo ao ir de encontro com a esfera que se acha na sua extremidade. Como o funil é invisível diremos que uma esfera atraiu a outra.
    Uma esfera vai de encontro a outra não por atração, mas, sim por causa da curvatura do espaço (funil) nas proximidades da esfera maior (massa maior).

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